quinta-feira, 17 de maio de 2007

Peripécias no sol nascente...

Em Coimbra

Um utente pergunta à psicóloga:

- Vou ali fazer chichi ao rio. O que é que acha?

(...)

Outro responde:

- Ó X, tu tens uma granda pancada! Não sabia!

Responde o X:

- Tu achas que andamos aqui no Sol Nascente, porquê? Porque somos muito saudáveis mentalmente?!!


Ainda em Coimbra

A psicóloga:

- Ó Y tente não estar sempre a deitar-me gafanhotos pra cima!

O Y:

- Como é que sabe que não são gafanhotas?!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

New York New York

Start spreading the news!
Nova Iorque é de facto uma cidade deslumbrante. Logo que possa vou colocar aqui neste lindo blog uma foto tirada na big apple.
Mil desculpas por só agora dar o ar da minha graça. O blog está tão bonito e interessante que até estava com medo de não ter nada assim tão interessante para aqui "postar". Mas cá vai de qualquer modo! Adorei esta ideia. É simplesmente delicioso! Um beijinho muito grande Andreia, Nessa, Sara, Lurdes e Marta...

Cristina

A propósito da pobreza humana….

Algures por onde ando vive uma família num anexo ao fundo de um quintal, um casal e 5 filhos numa casita, repartida em duas divisões minúsculas com menos do espaço necessário, talvez até para uma pessoa só.. Os pais dormem numa cama individual, os filhos dormem num beliche, o mais velho na cama de cima e os outros 4 na cama de baixo. Não têm mesa, as crianças comem no chão, lavam a loiça no quintal e a casa de banho também se encontra no quintal. As crianças de olhos azuis riem-se para nós e a de 3 anos pede-me para a ajudar a descascar uma banana, simbolicamente pede-me muito mais do que isso. Existem ratos na casa e muita humidade, a mais nova de todas as crianças tem atraso no desenvolvimento, os pais não trabalham…

Algures por onde ando vivem dois homens da mesma família numa (ruína de uma) casa de pedra, com uma só divisão. A casa encontra-se no meio de um terreno, escondida entre ervas. Lá dentro há um fogão a lenha, duas camas e pouco mais, de dentro da casa vê-se o céu. No Inverno os dois homens acordam como se estivessem a dormir na rua, ensopados em água da chuva. O telhado (ou o que resta dele), encontra-se coberto com ervas e eles dizem: “o telhado até está bonito”.
A casa não tem água nem luz. A água que têm é um fiozinho que corre no quintal que dá para tudo o que fazem. Tomam banho em alguidares, lavam a roupa em alguidares. Fazem as suas necessidades por entre as ervas que rodeiam a casa. Nenhum deles trabalha, nenhum deles recebe subsídios e os dois fazem biscates para ganhar algum dinheiro, mas um deles diz-me “ás vezes passa-se fome”. O único apoio que têm é da igreja que se limita a dar um pacote de arroz ou de massa de vez em quando. Mas, ainda há mais bocas naquela casa para alimentar, um cão pastor alemão e três gatinhos, a gestão de tudo aquilo é muito bem racionada. Perguntamos ao mais novo porque não trabalha, ao que nos responde que não consegue trabalhar pois não tem dinheiro para pagar as despesas do primeiro mês. Diz ser mais fácil encontrar trabalho a cerca de 30/40 km de onde vive e logo não tem meios para comprar o passe no primeiro mês, nem pagar a alimentação, assim mantém-se ali, vivendo um dia de cada vez, fazendo uns biscates. Chegou a fazer algumas horas de jardinagem perto de casa, onde lhe pagavam 100 euros por mês o que já dava para se orientar. Tem um dinheiro de parte: 25 euros poupados, para caso necessite de alguma coisa. Não é consumidor de drogas, não é alcoólico não têm nenhum problema físico que o impossibilite de trabalhar. O mais velho, esse sim é alcoólico, esse já idoso apanha caracóis e vende nas redondezas. Ao fim da tarde aguarda os amigos para beber uns copos, de manhã acorda com o dellirium tremens por abstinência do álcool.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Boatos

Ontem fui ver uma peça que se chama "A dúvida" e tive a oportunidade de ouvir uma metáfora citada por um actor que quero partilhar convosco, era qualquer coisa como:

Certo dia uma mulher apercebeu-se que nos ultimos tempos andara a falar mal de um homem que mal conhecia, isso pesou-lhe na consciência e resolveu ir confessar-se ao padre. O padre disse-lhe: “Vai para casa e leva uma almofada até ao telhado e esfaqueia-a, depois volta aqui.

A mulher foi para casa, tirou uma almofada da cama, tirou uma faca da gaveta, subiu as escadas de incêndio até ao telhado e abriu a almofada com a faca.

Voltou no dia seguinte para falar com o padre que lhe perguntou :
- Fizeste tudo o que te disse?
- Sim
- E o que viste?
- Muitas penas, senhor padre.
- Então quero que voltes para casa e reúnas todas as penas de novo.
- Mas isso é impossível, elas voaram do telhado quando abri a almofada, é impossível encontrá-las todas de novo!

E o padre respondeu:
- Tas a ver? Assim é o boato!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Fica comigo ou vai para sempre...

URGENTEMENTE

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade


Gosto muito da poesia de Eugénio de Andrade...

Ainda há outro poema de que gosto mais...
Chama-se ADEUS.

Um diz "fica comigo", o outro diz "está na hora de partir"...
Como pode alguém expressar tão bem dois sentires opostos?

Achei que fazia sentido deixar o primeiro aqui...

Mas já agora...


ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

lalalala

Ando há umas semanas a tentar descobrir de quem é esta música, canto à minha mana para ver se ela sabe de quem é, quando oiço na rádio tento perceber de quem é e até agora nada, mas hoje na rádio finalmente disseram qual era a banda e a música e xaram:
Não posso deixar de partilhar com vocemeces esta música que me deixa com vontade de dançar seja onde for que eu me encontre :)

http://www.youtube.com/watch?v=uzA0nG_PurQ

terça-feira, 17 de abril de 2007

Quem se senta a mesa?



Olá

Estou a gostar muito da experiência do blog, no fundo é um meio para dizer aquelas coisas muito interessantes ou pouco interessantes que antes diziamos entre uma aula ou no bar quando os assuntos pessoais já se tinham esgotado.

Mas sente-se a falta de algumas pessoas....

À mesa do bar/blog do chá estão normalmente a Andreia, Eu e a Lu e mais alguém que normalmente não assina...

Imaginem-se numa mesa no bar do ispa a partilhar ideias.... sentimos a vossa falta - a de quem não está presente ou então só ouve, não fala....

Marta

Casa do Largo



Pois é meus amores, desta vez trago uma sugestão de uma casa de chá. Fica em caneças e é mto agradável e tem uma imensa variedade de chás.
Já que eles não têm site, deixo-vos o link de uma descrição mais do que ao pormenor que encontrei num blog : Os Marialvas, já agora reparem que eles também são um grupo de amigos e têm os nomes discriminados, com as várias identidades, como é que será que isso se faz?

aqui fica o link com a descrição : http://osmarialvas.blogspot.com/2006/03/casa-do-largo.html

Marta

sábado, 14 de abril de 2007

Ainda há muito a percorrer...

Mas é graças à forma como pessoas como tu trabalham (Lu) que estamos no bom caminho.

Mesmo que só vejas inércia e caos à tua volta, não dá para desistir...

Lembra-te da teoria da entropia e daquele meu mail louco... :) Esta é uma piada nossa.


Há que respirar fundo, encontrar novas forças e insistir quantas vezes for preciso na pergunta (a título de exemplo):

- Então e quais foram as notas dos putos, afinal?

Um dia vão lá ver as notas... e com os putos!

Havia uma professora de Educação Física de que eu gostava muito, no Secundário. Nós queríamos frutas à venda no bar e ela disse-nos:

- Eu também queria fruta no bar dos professores, então todos os dias perguntava à senhora do bar se tinha uma maçã.

E um dia a fruta apareceu...


Andreia

Frutas, clubes de direitos humanos, que raio de adolescente fui eu???

sexta-feira, 13 de abril de 2007

A procura de um poema para a contra-capa do relatório...

O país sem mal

Um etnólogo diz ter encontrado
Entre selvas e rios depois de longa busca
Uma tribo de índios errantes
Exaustos exauridos semimortos
Pois tinham partido desde há longos anos
Percorrendo florestas desertos e campinas
Subindo e descendo montanhas e colinas
Atravessando rios
Em busca do país sem mal –
Como os revolucionários do meu tempo
Nada tinham encontrado (Sophia)

Só para vos dizer que ontem perderam...

- um bolo de chocolade delicioso (um dia ainda me torno empregada do Pois.Café só para aprender a fazer aquele bolo...)

- uma limonada austríaca muito saborosa, embora o seu bom sabor não se devesse à quantidade de limão (também não deve haver lá muitos limões na Aústria... E menos ainda limões austríacos em Portugal...)


- um sumo de laranja e uns ovos mexidos que a Lu vos poderá dizer como estavam, mas os últimos tinham cebolinho fresco, isso eu topei!

- uma bela conversa sobre nós, vós, os estágios, e problemáticas do quotidiano: a univ. independente, as casas de acolhimento, escolas, terapias...

- muitas gargalhadas à pala dos nossos meninos (umas de alegria, outras de nervosismo e revolta pelo estado das coisas)

- a nossa companhia!

- o belo, agradável e intercultural, ambiente do Pois.Café

- etc.


E quando não há muito a dizer, ou a escrever, arranja-se...

A aguardar notícias das ausentes no cafézinho...



Andreia

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Um dia de estágio muito risonho!

11 de Abril de 2007

Durante as actividades, numa sessão de estágio “normal”…


– Eu não como bananas porque não sou macaco! – exclama a Rita*.
– Ai sim? Então e porquê? – questiono-a eu.
– Porque eu vi num livro um macaco pequeno, depois via-se um macaco grande, depois um homem pequeno e depois um homem grande. – explica a Rita – Era um livro do corpo humano. – acrescenta.
– Então e tens medo de te transformar em macaco por causa disso? – pergunto-lhe eu.
– Pois!

(…)

– O lápis está a fugir! É fugitivo!!!

(…)

– Rita, não inventes!
– Não invente, vá ao Continente!

(…)

– Se nós trocarmos de lápis é boa ideia, não é? [A Rita a tentar sacar-me a lapiseira…]

(…)

– Posso perguntar-te uma coisa? – pergunta-me a Rita no meio de uma actividade.
– Claro! Diz lá.
– Porque é que estavam aqueles macacos no livro? – questiona a Rita, intrigada.
– Ah! Vou explicar-te… Sabes que a Terra, o nosso planeta, existe há muito tempo, não é? [eu armada em esperta!]
– Sim!!! Desde Jesus!!! [e esta, hen?]
Eu desato a rir-me… E a Rita adverte-me, muito séria:
– Olha uma coisa… Tu tens de aprender a não rir quando os outros falam!!! [
Bai buscar!!!]

(…)

– Agora vais ficar aí quietinha e caladinha, que eu vou ler em silêncio e depois para ti. [uma das actividades que fazemos sempre…]
E eu a rir-me, claro…
– A partir de agora! Quietinha!!!


*Nome fictício. Menina de 7 anos.


Quis partilhar um dos momentos mais divertidos do meu estágio...

Andreia

Que tal irmos ver uma valiosa exposição?


“Cartier 1899-1949 O Percurso de um estilo”

A exposição reúne um conjunto excepcional de 230 jóias, relógios e objectos pertencentes à Colecção Cartier, bem como algumas das aquisições de Calouste Gulbenkian, pertencentes à Fundação.
São ainda expostos desenhos originais - alguns dos quais associados ao coleccionador -, moldagens e diversa documentação.
A mostra estará patente de 15/02/2007 a 29/04/2007 na Sala de Exposições Temporárias do Museu Gulbenkian.
Marta

terça-feira, 10 de abril de 2007

Amizade servida em chávenas de chá!!!

Tinha que vir aqui, apresentar o meu primeiro “carimbo” no blog.
Vou ser franca, não estou muito modernizada nestas formas de comunicação e faz-me impressão que as nossas fotos e os nossos comentários estejam “aos olhos” de todos. Percebo a ideia e até simpatizo com ela, afinal é uma maneira (actual/moderna) de manifestar, expor, expressar o que se pretende.
Mais uma vez, sinto orgulho na nossa amizade e nas nossas diferenças. É devido a estas ideias (muitas e diversificadas), que vamos tendo maneiras sortidas de mostrar a nossa amizade!
Gosto muito da percepção de Dotterweich que diz que amizade é de todas as cores e formas. Este pensamento encaixa na perfeição no nosso grupo do chá que todos os dias/semanas/meses se manifesta nas cores existentes no arco-íris (estando nós tristes, zangadas, alegres, felizes, …) e em todos os formatos geométricos (se os nossos encontros são feitos a 2, 3, 4, 5 ou 6).
Neste blog registarei apenas o que não me importo que seja lido por todos e, ao ouvido ou por cada chávena de chá, direi o que é tão meu (nosso) …
Para terminar faço uma sugestão de leitura, “O visconde cortado ao meio” do Italo Calvino, para pensarem na dialéctica bom/ mau e como é possível estas características tornarem-se tão desumanas.

Um beijo diferente na forma e feitio para cada uma
Nessinha

domingo, 8 de abril de 2007

Às vezes não vos apetece abraçar o mundo?


AQUELE ABRAÇO
Gilberto Gil, 1969

O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, Fevereiro e Março
Alô, alô, Realengo - aquele abraço!
Alo, torcida do Flamengo - aquele abraço!
Chacrinha continua balançando a pança
E buzinando a moça e comandando a massa
E continua dando as ordens no terreiro
Alô, alô, seu Chacrinha - velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha - velho palhaço
Alô, alô, Terezinha - aquele abraço!
Alo, moça da favela - aquele abraço!
Todo mundo da Portela - aquele abraço!
Todo mês de Fevereiro - aquele passo!
Alô, Banda de Ipanema - aquele abraço!
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia ja me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu - aquele abraço!
Pra você que meu esqueceu - aquele abraço!
Alô, Rio de Janeiro - aquele abraço!
Todo o povo brasileiro - aquele abraço!
(samba cantado pela Elis Regina)

Às vezes apetece-me abraçar o mundo... :)
Acho que a Elis abraçava o mundo...
Por isso gosto tanto das músicas que ela cantava (e da forma como as cantava)...
Gosto desta, em particular!
Um abraço a cada uma de vós...


Andreia